sexta-feira, novembro 22, 2013

Sobre transcendência e liberdade

A madrugada se anunciava quando eu me pus a caminhar por aquela estrada estreita de chão, sob um céu de vagalumes, na direção em que o calor do fogo pudesse me levar. Ao meu redor estavam somente as árvores e as certezas de segurança e paz.  Depois de uns cem passos no silêncio, avistei a primeira tocha acesa. No mesmo instante, um guaxinim, que também resolvera, por um motivo qualquer, caminhar na calada da noite, passa por mim e deixa em meu rosto o esboço de um sorriso. Eu estava tranquila.

Logo mais a frente, pude ver as luzes. Provavelmente as chamas da fogueira que fazem todas as noites, para o luau e as danças típicas. Conforme me aproximava do local, o ruído dos tambores aumentava e eu sentia meu coração pulsar num ritmo frenético, como se fosse sair do peito. Quanto mais andava, mais forte ecoavam as batidas em mim.

Encontro a casa principal e o que me chama atenção são os rostos. Todos sujos e coloridos. Pintados com cores de neón e desenhos tribais. Tranquilos, suaves, em transe - apaixonados por cada momento que passavam ali.  A expressão de amor era geral. Como se ao dormir, todos tivéssemos sido colocados numa máquina do tempo e transferidos para um acampamento hippie nos anos 70; ou para um ritual pagão na selva, no tempo dos celtas; não sei. O certo é que, frente aos meus olhos, se mostrava a maior expressão de afeto que eu já presenciara.

Ao ritmo de batuques, em alguma espécie de maracatu ou qualquer outra coisa parecida, as pessoas se embalavam com seus espíritos livres. Sorrisos e flores eram distribuídos entre todos, e o álcool, que em minha vida costuma ser o artista principal nas festas, nessa se fazia menos importante, e talvez fosse até coadjuvante.

Não resisti e entrei na roda de dança. Libertei todos os meus demônios naqueles passos não ensaiados e me senti bem como nunca antes. Senti a necessidade de viver aquela percepção de realidade em outros momentos, quem sabe até periodicamente, para que minha vida fosse plena. Era isso. Naquele momento eu percebia o mundo que me rodeava. Percebi finalmente, depois de muito tempo, a grandiosidade do universo que me cerca e a beleza presente na dúvida e na incerteza sobre o que há além. Transcendi.

Fui ao paraíso e voltei. E foi aí que você apareceu em minha mente. De súbito, olhei para a parede e nela li teus versos. Cada boca que eu enxergava parecia a tua, e quis beijá-la. Cada olhar apaixonado era o teu, cada trança no cabelo era a tua. No meio da árvores sentia tua presença, no sol da aurora vi teu rosto.

Contudo, o mais surreal e incrível momento foi quando, ao me aproximar dos girassóis, o teu cheiro chegou às minhas narinas. Neste instante, tive a certeza que tu também estavas em paz, e de que sentias o mesmo que eu. Sabia que estavas feliz e que transcendias como eu. Percebi que não importa a distância, a realidade, o contato ou a situação: é na paz de espírito que os corações se sentem e se tocam; é na tranquilidade que as almas se unem e concluem o ritual do amor.

quarta-feira, novembro 07, 2012

07/11/2012


E o nosso amor virou música...
Virou lembrança longínqua, desejo não realizado, canção de ode ao passado.
Nosso amor virou música do Caetano. Virou revolução. Por ele fui presa e manda embora da minha terra, pra nunca mais voltar. Deus queira que me seja dada a anistia. Oh, Deus queira.

sexta-feira, agosto 17, 2012

la première


Ter a inocência. Do primeiro beijo, do primeiro amor, da primeira valsa. Do primeiro abraço bem dado, do primeiro aperto de mão de verdade, do primeiro amor feito.

Fazer algo pela primeira vez tem sempre aquele gosto novo, aquela sensação de "posso fazer tudo que eu quiser; errar o quanto quiser; afinal, posso melhorar na próxima vez". Tem sempre aquela irresponsabilidade gostosa da gente para com as coisas novas. A vontade de descobrir, de ver até onde vai. Ao mesmo tempo, aquele descompromisso, aquela leveza.

O primeiro passo de dança. AH! que saudade que dá! Saudade de poder pisar no pé de quem ensina e dessa pessoa nem reclamar, porque aquela vez é a primeiríssima.

Mas e quanto às danças, os amores, os beijos e os abraços?  Que já conhecem o jeito certo, que já sabem como ser, que já perderam a inocência.... quanto à eles? Ninguém pensa que o beijo se cansa de não saber ser bem beijado, ou o amor se cansa de não saber ser amado? Ninguém imagina que a valsa vienense se cansou de sempre ter um aprendiz?

Eles queriam que, por uma vez, não fossem os que ensinam, os que dão a chance à ingenuidade. Eles queriam que por uma vez, um bom beijador, amante ou dançarino, lhes viesse e mostrasse a melhor forma de fazê-lo, que não deixasse erros, que não deixasse espaço pra se cansar.

Eles queriam, por uma vez, aprender a ser. De novo. Queriam poder não ter paciência, não ter a bondade; fazer pirraça. Queriam poder ser pra sempre virgens.  


Queriam poder dar asas ao egoísmo - e serem compreendidos como se compreende uma primeira vez.

domingo, fevereiro 12, 2012

12/02/12

Recomeçar: que coisa estranha! 
Reaprender: coisa mais estranha ainda! 
"Reacostumar": o que é isso?! 
Dar mais uma chance à mim mesma: há quanto tempo tenho precisado?
Quando se encontra algo de verdade é que se percebe que nem tudo que aconteceu, e que parecia ser uma verdade absoluta, realmente significava alguma coisa.

Venho querendo dizer muitas coisas... e também querendo mostrar muitas outras. Sem mais delongas, acho que Paulo Mendes Campos pode fazê-lo melhor que eu:

"O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova York; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba." (O Amor Acaba - Crônicas Líricas e Existenciais - Editora Civilização Brasileira)

terça-feira, janeiro 10, 2012

"Saudade", essa relíquia da língua portuguesa.


Que saudade.
Que saudade de quando eu escrevia.
Que saudade de quando eu ainda tinha coração para escrever.
Sabe, escrever não é ato voluntário, desses que podemos nos por à mesa e simplesmente começar a rabiscar o papel. Escrever é involuntário, vem de dentro... se duvidar, do coração.
Tão involuntário quanto respirar, quanto fazer o coração bater, ou o sangue circular. Tão involuntário quanto um acidente; tão involuntário quanto um amor à primeira vista.
Há tempos - algumas semanas, pra dizer a verdade - sinto uma vontade grande de falar. De colocar no papel o que eu sinto, de dizer tudo que eu tenho pra dizer. E o que sai? Ah, um bando de palavras sem sentido! Bonitas, organizadas... mas tão vazias quanto um balão.
Cheguei a pensar - erroneamente, é claro - que a minha aptidão para redações ou textos mais formais pudessem me ajudar de alguma forma, dar algum contexto, ou "puxar" uma  inspiração de algum lugar... Balela! Racionalidade não serve pra essas horas. Serve, no máximo, pra corrigir um erro de português aqui ou ali.

Mas voltando ao assunto: que saudade que eu sinto!

Dizem que saudade é o sentimento que vive nos peitos vazios e nas cabeças que se preocupam com tudo. Dizem que saudade é uma lembrança de algo que passou e a esperança remota de que aquilo se repita.
Eu digo que saudade é o que explica esse caos cá dentro. É o que explica essa vontade de esquentar o peito mais uma vez, de pensar como antes; de estar "aberta a novas vidas dentro duma só".
É o sentimento que explica o porquê eu não escrevo mais. Ou porquê eu ouço as mesmas músicas e não sinto mais as mesmas coisas. É o termo da língua portuguesa - única e exclusivamente dela - que traduz o porquê calo quando penso.

A tenho da ignorância, da bobeira, dos momentos de alegria. Tenho saudade da cegueira, do calor... daquela vontade de jogar-se dum penhasco a cada dia. Como dizia Nietzsche: "Você ama o desejo, não o desejado".

sábado, outubro 29, 2011

Ausência de luz solar.

O que parece forte e inabalável à luz solar, com o cair da noite se torna frágil e fraco. A noite não passa de uma cortina escura que, ao mesmo tempo que nos separa da plateia, nos deixa à vontade para agir naturalmente nos bastidores.  É como se o pôr-do-sol fosse a chave que abre a porta dos sentimentos e que também prende a razão numa cela. Como se a noite fosse a verdade, que espera que a beleza sair de campo e se mostra integral, nua, crua e, às vezes, não muito bela.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Sobre simplicidade e gotas de chuva.


Milhas e milhas a frente. Um curva à direita, outra à esquerda. Um grande caminho aparece. E tu o percorres. Calma e silenciosamente. Sem pensar n'outra coisa, a não ser o que buscas.

Começam as gotas. Tu te apressas. E como se tudo fosse acabar em um segundo, tu corres.  Sem pensar, sem saber. Tu corres em busca da felicidade. 

Pra que, me diga? O que te impede de verdes que ela já chegou? O que te impede de verdes que ela sempre esteve ali? O pior cego é o que vê somente o que os olhos enxergam.

Molha-te. Vive. Sente esta chuva. Delicia-te com o tato. Vê que estais vivo. Percebe-te.

Sê, apenas sê.

sábado, outubro 01, 2011

Sobre direitos e deveres.


De um lado do vidro, uns brincam com aparelhos eletrônicos de última geração  recém ganhos dos pais, gozando de plena saúde e felicidade, sempre reclamando dos pequenos desprazeres de sua vida "infeliz" e "chata". Do outro, na mesma faixa etária, pequenos mal vestidos fazem malabares e vendem chiclete em frente aos carros para ganhar, quem sabe, dinheiro para comer. Eis a situação lastimável em que se encontra o Brasil.
O direito à alimentação, moradia, cuidado, o direito à saúde e, primordialmente, o direito à vida, nem sempre são respeitados nesse país, apesar de garantidos em constituição. Nos padrões da realidade atual, é muito fácil encontrar morte, fome, falta de abrigo e de saúde, antes de qualquer outra coisa pelas ruas das grandes metrópoles.
Nada mais que leiga, a população julga os moleques que vivem na rua como se todos fossem criminosos, malfeitores. É aí que se enganam. Nesse caso, aplica-se o que Rousseau dizia: o homem nasce bom, mas é corrompido pela sociedade. Grande parte da criminalidade praticada por crianças e adolescentes de baixa renda certamente é por falta de opção.
O governo, no seu papel de protetor, é falho. De que adianta um estatuto que garante direitos e mais direitos se, na hora de aplicar, não o faz corretamente? Se o Estado cumprisse seu dever primeiro, o de fazer valer os direitos do povo, certamente não encontraria-se pequenos agindo fora da lei, muito menos enchendo as filas de hospital por causa de problemas de saúde que poderiam ser facilmente evitados.
Mesmo sendo grave, o problema ainda é passível de solução: uma população melhor instruída, por exemplo, seria algo que ajudaria no combate aos maus tratos com adolescentes e crianças. A educação, fator importantíssimo para a formação de caráter de futuros pais e educadores, não é tratada com a devida importância. Nem a nação, nem o Estado dá o valor adequado, quando esta poderia ser a linha de separação entre uma mãe dedicada e uma mãe negligente. Na realidade, o Brasil precisa mesmo é de uma revolução. Urgentemente.

terça-feira, setembro 27, 2011

Filosofia: amor à sabedoria.

Certa feita, conversando com um amigo, cheguei à uma conclusão muito interessante sobre o modo que me sinto com relação à escrita.
Disse à ele: "Engraçado. O que eu escrevo está estritamente relacionado ao que leio. Veja meu blog: no início, lia Paulo Coelho e, assim como o Mago, tentava ser simples e mística ao mesmo tempo. Algum tempo depois, ao conhecer a poesia de Drummond e Manuel Bandeira, o amor e a melancolia igualmente tomaram conta desta página. Mais tarde, porém, encantada no realismo Machadiano e nas críticas de Goethe e Dostoiévski, posso notar um amadurecimento enorme e, até mesmo, um desdém pelos sentimentos... É como se vivesse de fases."
Meu amigo, curioso, pediu: "E agora, o que lê?". Eu respondi: "Leio Nietzsche."
Mais uma vez, ele pede: "E o que escreve?". Respondi, então: "Não escrevo."
E de certo modo, é isso que acontece. A literatura em si é um banho de inspiração... um mergulho profundo na própria mente, uma viagem. Mas a filosofia... ah, a filosofia! Esta  leva para caminhos tão novos e insanos, tão nunca imaginados, que a possibilidade de expôr em palavras o que se revela diante dos olhos é nula.
É como se fosse um passeio tão vivo e vibrante que se torna impossível parar um tempo e, sensatamente, descrevê-lo.

domingo, agosto 14, 2011

Gênios serão sempre gênios.

"Andando" internet à dentro, achei um trecho de Goethe sobre um assunto que já falei aqui no blog (mais precisamente, aqui), que é a efemeridade de nossas vidas e da falta que o fim de nossa existência causaria. Cada vez que leio estes parágrafos, minha certeza é aumentada: gênios serão sempre gênios, atemporais.

"Veja o que você agora representa nesta casa: tudo para eles! Seus amigos lhe têm consideração e estima, você dá a eles muitos momentos de alegria e supõe que seu coração não poderia viver sem eles. No entanto... se você partisse, se desaparecesse desse círculo, por quanto tempo sentiriam o vazio que a sua ausência lhe causaria? Por quanto tempo?..."
Ah! o homem é tão efêmero que, mesmo onde está verdadeiramente seguro de sua existência, no único lugar em que sua presença produz uma impressão real- na memória e no coração dos amigos - mesmo ali ele vai apagar-se e desaparecer, e logo!" (Johann von Goethe)

domingo, julho 31, 2011

31/07/2011

"Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"  
(Luís Vaz de Camões) 

Distância, tempo e vida: o que foi que vocês fizeram?!

segunda-feira, junho 27, 2011

Fragilidade invernal

Tudo está bem. Começam a cair as folhas das árvores e os primeiros ventos sopram.
O sol aparece, tímido nos dias nublados,  mas resplandecente e alaranjado nos demais.
Maio passa, as árvores estão despidas, os galhos começam a secar.
Junho. O inverno chega.
E agora sim, tudo está limpo. Vazio, nítido. Claro e arejado. Simples.
Os pensamentos estão assim também, claros, arejados, simples. A diferença é que a claridade e a simplicidade que esses ganham se dá pelo fato de serem poucos, quase nenhum.
À medida que as folhas vermelhas das árvores cansadas do outono caem, as ideias, as certezas, e tudo que parecia duradouro e estável começa a desaparecer.
No fim de maio são só pequenas amostras do que costumavam ser, e quando junho emerge no horizonte, já não se sabe mais de nada.
Tudo cai por terra e todos os dogmas são descartados. Toda a segurança vai embora, e não há mais como ser segura de si. 
Como se a passagem do tempo lhes colocasse sobre os galhos finos das árvores que secaram: pendem para o lado do vento fraco; quebram-se ao meio se os ventos fortes e decisivos lhe alcançarem.

terça-feira, março 01, 2011

Riqueza ou dinheiro? Pelo que buscas?

Numa civilização onde você é o que você tem, criar falsas expectativas e adorar falsos deuses da futilidade passa a ser um risco que se corre. Eis o que acontece hoje em dia: o dinheiro, grande facilitador da vida moderna, passa a ser visto como a solução para grande parte dos problemas que nos acometem.
A falsa visão que se tem sobre a riqueza, geralmente adotada pelas classes de baixa renda, acaba por ser um fator que ajuda a desbancar outros valores da sociedade.
As classes média e baixa, em busca de um padrão de vida melhor e de felicidade aparente, procuram enriquecer a qualquer custo. E, para eles, passar por cima de princípios primordiais da sociedade parece um preço bom à pagar.
Uma vez ricos, esses param de se preocupar com o real motivo da existência humana. Ganhar mais, e adquirir as tecnologias de ponta, passam a ser necessidades fundamentais. O trabalho sobrepõe-se ao lazer. As bolsas da moda imperam nas listas de presente de natal. Ao mesmo tempo, aquele ideal de vida perfeita, que se tinha no início, vai se esvaindo de suas vidas.
Enquanto isso, os ricos de longa data, desfilam com sua felicidade à mostra e, muitas vezes, nem a roupa da moda vestem.
Percebe-se então, que o segredo não está no dinheiro, muito menos no trabalho em excesso, ou na corrupção. Vê-se que o segredo da felicidade almejada é saber dar o devido valor à que realmente importa - independentemente da conta bancária.
Aquela máxima, portanto, que diz que o dinheiro não traz felicidade, merece ser corrigida: o dinheiro traz, sim, felicidade. Mas em contrapartida, a leva de volta se não souberes dar valor às coisas certas; se não enxergares o essencial que se faz invisível aos olhos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Digo e repito:

Quando morreres, morrerás sozinho. Do mesmo modo que nasceste só, assim terminarás.
Não haverá amigo, irmão, pai ou amante que tome seu lugar na hora da morte. E não haverá amigo, irmão, pai ou amante que vá perder tudo o que tu perderás com o fim da vida.
As experiências que passaram e as que ainda estão por vir são únicas, exclusivas, e têm um significado diverso para cada pessoa. Ao morrermos, nossas experiências cessam: as que passamos, caem no esquecimento; as que estão por vir, nunca virão. 
Porém, ao morrermos, outras vidas continuam.
Não haverão amigos, pais, irmãos ou amantes que parem e percam sua bagagem. Não haverá aquele que parará de viver ao mesmo tempo que você.
Não haverá vida que não continuará; mesmo manca e abatida, ela seguirá.
Somos seres passageiros. A vida, assim como o amor, também passa.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

10/02/2011

Estranho como, em pleno verão do hemisfério sul, os dias conseguem ser tão úmidos como são agora.
Posto que o sol insiste em queimar lá no alto, fazendo com que cada gotícula de água que exista sobre o solo evapore, percebi então:  a chuva, nada mais é do que o desejo desesperado de uma nuvem por tocar o chão. O desejo de voltar para seu lugar de origem, sua casa .Este, é tão grande e avassalador que, o sacrifício de tornar-se milhões de gotas parece um preço justo à pagar para realizá-lo.
Porque, uma vez que estiver em casa, cada uma das gotas encontrará em si mesma a força necessária para se reunir às demais e continuar o ciclo de vida.


"Chuva sucks", by Marco.

terça-feira, dezembro 14, 2010

14/12/2010

A cada dia me surpreendo mais com as voltas dessa vida.
A felicidade, o amor, a euforia de um recomeço, a utopia da vida perfeita.
Tudo pode estar ao teu lado, caminhando paralelamente ao teu destino, sem que você ao menos note.
Porém, com tranquilidade tu deves seguir - o tempo, o destino, o cosmos -, tudo se encarregará de transformar as paralelas em perpendiculares e, fazer com que, mais cedo ou mais tarde, tudo se alinhe e caminhe como num só passo.
Então, tu verás que se as paralelas houvessem se encontrado em tempos diferentes, os caminhos não seriam os mesmos, os passos não seriam mais como um só e, nada mais, seria tão perfeito com há de ser agora.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Consequência

Algo lhe encomodava. Alguma coisa a estava perturbando depois de ver pela última vez, mas nunca teve coragem de saber o que era.
Doía, machucava, tirava o ar. Fora o que restou. O sufoco, a falta.
Conforme passavam os dias, a vontade e a coragem chegavam mais e mais perto dela. Até que em frente ao espelho, detectou o seu câncer: uma espada.
Fora o que restou.
Afiada, cortante, prata a ponto de cegar.
Lhe trancava o ar, lhe trazia o sufoco, mas sabia que era o que lhe mantia viva.
E então, dolorosamente viveu, com a estaca brilhante em seu pescoço, seu fardo de todos os dias. Pra que não esquecesse que não há felicidade desvencilhada da dor.

quarta-feira, junho 16, 2010

Schedule

Sonhar. Acordar. Tentar lembrar. Sentimento de incapacidade. Recomeço. Levantar, calçar as pantufas e ir para a cozinha. Fazer o sangue circular. Trocar de roupa, escovar os dentes, comer. Sair. Frio, névoa, vazio. Chegar. Pessoas, barulho, calor humano. Sentar, ouvir, pensar.
 Sobre o que estive pensando mesmo? Cologarítmos, logaritmos, garitmos, ritmos. Ouvir, guardar, sair. Andar. Frio, névoa, vazio, mas com um calorzinho a mais. Chegar, pantufas, cozinha. Fazer o sangue circular. Deitar, esperar, assistir.
Ver, pensar. Pensar sobre o que mesmo? Você, você, você. Sonhar com você, deitar com você, por as pantufas com você. Circular com você, frio e névoa com você. Com você pra curar o vazio, pra preencher o pensamento.Teu calor humano, teu barulho, ser o teu 'você'.
Separar. Partir. Solidão, vazio, névoa. Tudo outra vez. Não ter mais teu calor humano, não ter mais teu barulho. Passar o tempo. Ler, deitar, dormir. Quem sabe sonhar. Sonhar com você. Porque mesmo longe, você deixou seus pedacinhos em mim. Sonhar, sonhar, sonhar. Deleitar-me noite a dentro com você.
Sonhar. Acordar. Tentar lembrar.

terça-feira, maio 11, 2010

Congelar dignamente.

Quem me dera o frio daqui fosse qual o da Europa. Neve, branquidão, frio e silêncio. Nada mais digno do que sentar em frente à janela, debaixo das cobertas, e observar aquele mundo branco que cai ao chão. Quem me dera o frio daqui fosse tão aconchegante assim.

By the way, feliz dia das mães à todas as mães num raio de 1000km, em especial à minha. E obrigada por serem criaturas tão essenciais.

sexta-feira, abril 30, 2010

Um post às amigas

Sentia muita falta de passar uma noite inteira comendo pizza, vendo tv e conversando com vocês. E ontem percebi o quanto é bom relembrar os velhos tempos, e sair da monotoneidade.
Amo vocês de mais, amigas, e acho que não viveria ser tê-las comigo.

Um beijo especial pro meu leãozinho (:
 Saudades.