quinta-feira, fevereiro 10, 2011

10/02/2011

Estranho como, em pleno verão do hemisfério sul, os dias conseguem ser tão úmidos como são agora.
Posto que o sol insiste em queimar lá no alto, fazendo com que cada gotícula de água que exista sobre o solo evapore, percebi então:  a chuva, nada mais é do que o desejo desesperado de uma nuvem por tocar o chão. O desejo de voltar para seu lugar de origem, sua casa .Este, é tão grande e avassalador que, o sacrifício de tornar-se milhões de gotas parece um preço justo à pagar para realizá-lo.
Porque, uma vez que estiver em casa, cada uma das gotas encontrará em si mesma a força necessária para se reunir às demais e continuar o ciclo de vida.


"Chuva sucks", by Marco.

terça-feira, dezembro 14, 2010

14/12/2010

A cada dia me surpreendo mais com as voltas dessa vida.
A felicidade, o amor, a euforia de um recomeço, a utopia da vida perfeita.
Tudo pode estar ao teu lado, caminhando paralelamente ao teu destino, sem que você ao menos note.
Porém, com tranquilidade tu deves seguir - o tempo, o destino, o cosmos -, tudo se encarregará de transformar as paralelas em perpendiculares e, fazer com que, mais cedo ou mais tarde, tudo se alinhe e caminhe como num só passo.
Então, tu verás que se as paralelas houvessem se encontrado em tempos diferentes, os caminhos não seriam os mesmos, os passos não seriam mais como um só e, nada mais, seria tão perfeito com há de ser agora.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Consequência

Algo lhe encomodava. Alguma coisa a estava perturbando depois de ver pela última vez, mas nunca teve coragem de saber o que era.
Doía, machucava, tirava o ar. Fora o que restou. O sufoco, a falta.
Conforme passavam os dias, a vontade e a coragem chegavam mais e mais perto dela. Até que em frente ao espelho, detectou o seu câncer: uma espada.
Fora o que restou.
Afiada, cortante, prata a ponto de cegar.
Lhe trancava o ar, lhe trazia o sufoco, mas sabia que era o que lhe mantia viva.
E então, dolorosamente viveu, com a estaca brilhante em seu pescoço, seu fardo de todos os dias. Pra que não esquecesse que não há felicidade desvencilhada da dor.

quarta-feira, junho 16, 2010

Schedule

Sonhar. Acordar. Tentar lembrar. Sentimento de incapacidade. Recomeço. Levantar, calçar as pantufas e ir para a cozinha. Fazer o sangue circular. Trocar de roupa, escovar os dentes, comer. Sair. Frio, névoa, vazio. Chegar. Pessoas, barulho, calor humano. Sentar, ouvir, pensar.
 Sobre o que estive pensando mesmo? Cologarítmos, logaritmos, garitmos, ritmos. Ouvir, guardar, sair. Andar. Frio, névoa, vazio, mas com um calorzinho a mais. Chegar, pantufas, cozinha. Fazer o sangue circular. Deitar, esperar, assistir.
Ver, pensar. Pensar sobre o que mesmo? Você, você, você. Sonhar com você, deitar com você, por as pantufas com você. Circular com você, frio e névoa com você. Com você pra curar o vazio, pra preencher o pensamento.Teu calor humano, teu barulho, ser o teu 'você'.
Separar. Partir. Solidão, vazio, névoa. Tudo outra vez. Não ter mais teu calor humano, não ter mais teu barulho. Passar o tempo. Ler, deitar, dormir. Quem sabe sonhar. Sonhar com você. Porque mesmo longe, você deixou seus pedacinhos em mim. Sonhar, sonhar, sonhar. Deleitar-me noite a dentro com você.
Sonhar. Acordar. Tentar lembrar.

terça-feira, maio 11, 2010

Congelar dignamente.

Quem me dera o frio daqui fosse qual o da Europa. Neve, branquidão, frio e silêncio. Nada mais digno do que sentar em frente à janela, debaixo das cobertas, e observar aquele mundo branco que cai ao chão. Quem me dera o frio daqui fosse tão aconchegante assim.

By the way, feliz dia das mães à todas as mães num raio de 1000km, em especial à minha. E obrigada por serem criaturas tão essenciais.

sexta-feira, abril 30, 2010

Um post às amigas

Sentia muita falta de passar uma noite inteira comendo pizza, vendo tv e conversando com vocês. E ontem percebi o quanto é bom relembrar os velhos tempos, e sair da monotoneidade.
Amo vocês de mais, amigas, e acho que não viveria ser tê-las comigo.

Um beijo especial pro meu leãozinho (:
 Saudades.

terça-feira, abril 27, 2010

Incertezas e poemas: feitos um para o outro.

Casca.
É isso que parece estar sobre.
Agora, antes e estou certa de que mais tarde vai estar.
Todo o tempo tapando os buracos,
sempre segurando o ar;
deixando estar, sem ser.
Proteção, é o que dizem.
Mas, por que, Diabos, isso está aqui?
É tão confuso.
Sufocante, escuro, úmido.
Inocentemente, a vida insiste em crescer sob.
Mas crescer por quê?
Qual o propósito, se transparecer não lhe é permitido?
Queria somente ser o azul, ser o verde,
queria ser o que chamam caleidoscópico.
Imagem. Alguém sabe pra que isso importa?
Maturidade. Diria-me o que é?
Só mais uma vez,
eu suplico.
Deixa-me ser o azul, verde, ou caleidócopico.
Por favor,
apenas deixa-me ser.



Voltei ao blog, pelo menos por agora. Espero ter mais lampejos criativos frequentemente. Um beijo.