terça-feira, março 01, 2011

Riqueza ou dinheiro? Pelo que buscas?

Numa civilização onde você é o que você tem, criar falsas expectativas e adorar falsos deuses da futilidade passa a ser um risco que se corre. Eis o que acontece hoje em dia: o dinheiro, grande facilitador da vida moderna, passa a ser visto como a solução para grande parte dos problemas que nos acometem.
A falsa visão que se tem sobre a riqueza, geralmente adotada pelas classes de baixa renda, acaba por ser um fator que ajuda a desbancar outros valores da sociedade.
As classes média e baixa, em busca de um padrão de vida melhor e de felicidade aparente, procuram enriquecer a qualquer custo. E, para eles, passar por cima de princípios primordiais da sociedade parece um preço bom à pagar.
Uma vez ricos, esses param de se preocupar com o real motivo da existência humana. Ganhar mais, e adquirir as tecnologias de ponta, passam a ser necessidades fundamentais. O trabalho sobrepõe-se ao lazer. As bolsas da moda imperam nas listas de presente de natal. Ao mesmo tempo, aquele ideal de vida perfeita, que se tinha no início, vai se esvaindo de suas vidas.
Enquanto isso, os ricos de longa data, desfilam com sua felicidade à mostra e, muitas vezes, nem a roupa da moda vestem.
Percebe-se então, que o segredo não está no dinheiro, muito menos no trabalho em excesso, ou na corrupção. Vê-se que o segredo da felicidade almejada é saber dar o devido valor à que realmente importa - independentemente da conta bancária.
Aquela máxima, portanto, que diz que o dinheiro não traz felicidade, merece ser corrigida: o dinheiro traz, sim, felicidade. Mas em contrapartida, a leva de volta se não souberes dar valor às coisas certas; se não enxergares o essencial que se faz invisível aos olhos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Digo e repito:

Quando morreres, morrerás sozinho. Do mesmo modo que nasceste só, assim terminarás.
Não haverá amigo, irmão, pai ou amante que tome seu lugar na hora da morte. E não haverá amigo, irmão, pai ou amante que vá perder tudo o que tu perderás com o fim da vida.
As experiências que passaram e as que ainda estão por vir são únicas, exclusivas, e têm um significado diverso para cada pessoa. Ao morrermos, nossas experiências cessam: as que passamos, caem no esquecimento; as que estão por vir, nunca virão. 
Porém, ao morrermos, outras vidas continuam.
Não haverão amigos, pais, irmãos ou amantes que parem e percam sua bagagem. Não haverá aquele que parará de viver ao mesmo tempo que você.
Não haverá vida que não continuará; mesmo manca e abatida, ela seguirá.
Somos seres passageiros. A vida, assim como o amor, também passa.

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

10/02/2011

Estranho como, em pleno verão do hemisfério sul, os dias conseguem ser tão úmidos como são agora.
Posto que o sol insiste em queimar lá no alto, fazendo com que cada gotícula de água que exista sobre o solo evapore, percebi então:  a chuva, nada mais é do que o desejo desesperado de uma nuvem por tocar o chão. O desejo de voltar para seu lugar de origem, sua casa .Este, é tão grande e avassalador que, o sacrifício de tornar-se milhões de gotas parece um preço justo à pagar para realizá-lo.
Porque, uma vez que estiver em casa, cada uma das gotas encontrará em si mesma a força necessária para se reunir às demais e continuar o ciclo de vida.


"Chuva sucks", by Marco.

terça-feira, dezembro 14, 2010

14/12/2010

A cada dia me surpreendo mais com as voltas dessa vida.
A felicidade, o amor, a euforia de um recomeço, a utopia da vida perfeita.
Tudo pode estar ao teu lado, caminhando paralelamente ao teu destino, sem que você ao menos note.
Porém, com tranquilidade tu deves seguir - o tempo, o destino, o cosmos -, tudo se encarregará de transformar as paralelas em perpendiculares e, fazer com que, mais cedo ou mais tarde, tudo se alinhe e caminhe como num só passo.
Então, tu verás que se as paralelas houvessem se encontrado em tempos diferentes, os caminhos não seriam os mesmos, os passos não seriam mais como um só e, nada mais, seria tão perfeito com há de ser agora.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Consequência

Algo lhe encomodava. Alguma coisa a estava perturbando depois de ver pela última vez, mas nunca teve coragem de saber o que era.
Doía, machucava, tirava o ar. Fora o que restou. O sufoco, a falta.
Conforme passavam os dias, a vontade e a coragem chegavam mais e mais perto dela. Até que em frente ao espelho, detectou o seu câncer: uma espada.
Fora o que restou.
Afiada, cortante, prata a ponto de cegar.
Lhe trancava o ar, lhe trazia o sufoco, mas sabia que era o que lhe mantia viva.
E então, dolorosamente viveu, com a estaca brilhante em seu pescoço, seu fardo de todos os dias. Pra que não esquecesse que não há felicidade desvencilhada da dor.

quarta-feira, junho 16, 2010

Schedule

Sonhar. Acordar. Tentar lembrar. Sentimento de incapacidade. Recomeço. Levantar, calçar as pantufas e ir para a cozinha. Fazer o sangue circular. Trocar de roupa, escovar os dentes, comer. Sair. Frio, névoa, vazio. Chegar. Pessoas, barulho, calor humano. Sentar, ouvir, pensar.
 Sobre o que estive pensando mesmo? Cologarítmos, logaritmos, garitmos, ritmos. Ouvir, guardar, sair. Andar. Frio, névoa, vazio, mas com um calorzinho a mais. Chegar, pantufas, cozinha. Fazer o sangue circular. Deitar, esperar, assistir.
Ver, pensar. Pensar sobre o que mesmo? Você, você, você. Sonhar com você, deitar com você, por as pantufas com você. Circular com você, frio e névoa com você. Com você pra curar o vazio, pra preencher o pensamento.Teu calor humano, teu barulho, ser o teu 'você'.
Separar. Partir. Solidão, vazio, névoa. Tudo outra vez. Não ter mais teu calor humano, não ter mais teu barulho. Passar o tempo. Ler, deitar, dormir. Quem sabe sonhar. Sonhar com você. Porque mesmo longe, você deixou seus pedacinhos em mim. Sonhar, sonhar, sonhar. Deleitar-me noite a dentro com você.
Sonhar. Acordar. Tentar lembrar.

terça-feira, maio 11, 2010

Congelar dignamente.

Quem me dera o frio daqui fosse qual o da Europa. Neve, branquidão, frio e silêncio. Nada mais digno do que sentar em frente à janela, debaixo das cobertas, e observar aquele mundo branco que cai ao chão. Quem me dera o frio daqui fosse tão aconchegante assim.

By the way, feliz dia das mães à todas as mães num raio de 1000km, em especial à minha. E obrigada por serem criaturas tão essenciais.